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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O coração partido de uma mãe

Desde que o Benjamin nasceu eu organizei minha vida para estar, a maior parte do tempo perto dele. Mesmo tendo voltado a trabalhar quando ele tinha 2 meses, tinha uma pessoa que me ajudava durante meio período do dia para que eu pudesse fazer as coisas do meu trabalho a tarde, em home office. Depois a babá foi embora e ele começou a ir para a escola - também em meio período - e nos dias mais apertados de trabalho deixava ele alguns períodos mais longos por lá.

Mas o fato é que nessa semana, pela primeira vez nesses 1 ano e 7 meses precisei deixa-lo a semana toda em período integral na escola porque a demanda de trabalho está muito intensa - o que obviamente, por um lado, é ótimo, mas por outro, me corta o coração.

Já na segunda-feira, durante o café da manhã, expliquei à ele que tinha acontecido uma coisa muito legal. A mamãe tinha conseguido três trabalhos novos, estava muito contente e precisava da ajuda do Benjamin para trabalhar e por isso, por esses dias, ele iria para a escola por um período maior porque a mamãe precisava escrever bastante. Ele entendeu, disse que ia brincar na escola com os amiguinhos e ficou por isso mesmo.

Aí hoje cedo, na preparação para o banho, eu pergunto, como faço todos os dias, bem animada: "Quem quer ir para escola???" e esperando a resposta que ele dá, todos os dias bem animado e com a mão em riste fiquei esperando um "Eu também, Benjamin!", mas a resposta foi "Benjamin quer ficar em casa com a mamãe". Morri.

Expliquei à ele de novo que a mamãe ia trabalhar hoje e que ele ia pra escola brincar com os amiguinhos e que no fim do dia íamos fazer algo bem legal. E que amanhã, se tudo fosse como o esperado passaríamos mais tempo juntos.

Levei ele para escola, entreguei ele para a professora que ele tanto gosta, e ele foi participar da aula de leitura como um príncipe. Saí da escola, sentei no carro e chorei. Por mim, por ele e por pensar na coragem de tantas mães que fazem isso diariamente porque precisam deixar seus filhotes em casa aos 4 meses, quando termina a licença maternidade. Chorei de saudade do Benjamin. Chorei porque tive o privilégio de poder escolher sair desse sistema capitalista nojento e trabalhar de um jeito diferente, graças ao apoio do meu marido. Chorei sei lá porque, porque mães choram mesmo, de alegria, de tristeza, de culpa, de saudade, mesmo quando tudo isso é só uma bobeira momentânea, né?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O resultado de ficar longe

Fonte: mamyemdosedupla.blogspot.com
Pode ser que seja paranoia minha essa coisa de mudar a rotina, mas durante o dia de ontem monitorei pelo telefone como Benjamin passou seu primeiro dia, em horário comercial, longe da mamãe e tudo correu bem. Cheguei em casa por volta das 18h30 com os peito cheio de leite uma saudade imensa do meu príncipe.

Ele estava dormindo e logo que acordou mamou. Até aí tudo parecia normal. Prossegui com a rotina dele habitual e depois de algumas horas fomos para o procedimento banho-por pijama-mamadeira-peito-dormir.
Aí que a casa caiu.

Mesmo sem mamar mamadeira desde as 14h o pequeno não quis saber da bocharrenta. Era só peito, peito, peito e gritos aos ver a mamadeira. Com muito esforço consegui fazê-lo tomar 90ml de LA. Isso dava o tom do que seria nossa madrugada.

Às 2h30 Benjamin acordou e quando ofereci a mamadeira, antes do peito, adivinhem? Ele gritou, de novo. Gritou, chorou, se jogou pra trás, um verdadeiro escândalo. Acalmou um pouco quando ofereci o peito, mas mesmo assim ele mamava alguns segundos e chorava. Pra ajudar, o nariz estava bem entupido. Provavelmente consequência do resfriado que a babá teve e que passou pra ele. Pingamos soro no nariz para ver se ele melhorava e voltei a oferecer peito e mamadeira. Ele não queria nada. Olhava pra mim e chorava e se aninhava e se jogava pra trás. Ou estava muito incomodado com algo misterioso (não era frio ou calor, não era fralda suja) ou realmente estava demonstrando que estava sentindo falta da mamãe.

Lá pelas tantas decidi embrulhá-lo no cueiro e tentar fazê-lo dormir, mesmo suspeitando que ele estivesse com fome (o  que a gente faz com um bebê que tem fome e não quer mamar?). Demorou, mas ele dormiu no meu colo. Tentei colocar no berço e o escândalo foi imediato. Voltou pro colo. Perdi a batalha do berço pro meu cansaço e dormi abraçada com ele na poltrona de amamentação.Conseguimos cochilar algumas horas, com ele bastante agitado e na hora que o despertador tocou, levantei e coloquei ele na minha cama. O bichinho acordou imediatamente.

Hoje vamos para o segundo dia longe em horário comercial. Resta saber o que será da nossa próxima madrugada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ficar longe dói

Hoje, pela primeira vez passarei o dia todo longe do filhote. Para todo mundo que volta a trabalhar em seus empregos formais depois de 4 ou 5 meses de licença maternidade é uma situação cotidiana. Para mim, são "apenas" dois dias de evento, mas estão deixando meu coração apertado e minha cabeça com peso na consciência de deixar o pequeno em casa.

Fico imaginando como deve ser na cabeça dele, que está acostumado com a presença da mamãe o dia todo, ficar sem mim. Mais angustiante que isso é eu ficar sem ele. Os seios ficam cheios de leite, dá vontade de ligar a cada 5 minutos para saber se está tudo bem e uma vontade doida de dar um cheiro e um agarro no menino mais lindo que eu já vi.

Fica uma sensação de que estou perdendo alguma coisa. Algum sorriso, alguma careta, algum momento de desconforto dele que eu posso ajudar a resolver, alguma novidade. Com os bebês tudo acontece muito rápido. O que será que já aconteceu nessas horas que estou fora de casa?

Ao mesmo tempo fica uma sensação boa de liberdade, de realização profissional, de ser "eu mesma" sozinha. E para ele, acredito que começa um aprendizado de independência e autonomia em relação aos pequenos fatos da vida.
Fonte: Google